Vivendo e aprendendo em Minas Gerais

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Por Felipe Lima Rizzi, aluno

Não sei se você sabe, mas por aqui, no Santa, já é consenso: não existe
passeio sem aula. Quando fomos convidados pelas professoras Mariana e
Emília a visitar Minas Gerais, estávamos cientes que, apesar da diversão que
uma road trip com a galera, visitando os lugares sobre os quais a gente vive
ouvindo falar pudesse oferecer, a viagem seria uma grande aula de cinco dias,
onde aprimoraríamos os conhecimentos adquiridos nas aulas de literatura,
história da arte e processo criativo.
E foi.

Mas também foi muito além. Estávamos prestes a por à prova tudo
aquilo que passamos anos exercitando dentro da pedagogia do colégio:

trabalho, cooperação, livre-expressão e autonomia. 

As Provas

O exercício do trabalho foi levado ao pé da letra. Alguns dos alunos
foram atrás de emprego para ajudar no pagamento das parcelas, como relata
Lídia Rosa, do segundo ano: “eu trabalhava o mês inteiro, e, quando chegava a
hora de receber o salário, eu ficava feliz de saber que uma parte dele ia pra
uma viagem que eu sempre quis fazer”.

“Exercitavam a cooperação quando esperavam, pacientes, o grupo
terminar de visitar as exposições, quando, nos espaços públicos, se
preocupavam uns com os outros, quando respeitavam o espaço alheio e as
regras para o bem geral”, diz a Professora Mariana (Sem contar aquela ajuda
na hora de tirar as infinitas fotos que inundaram os feeds nos dias que seguiam
as excursões).

O ápice da livre-expressão cultivada no colégio aconteceu quando
visitamos o teatro Casa da Ópera em Ouro Preto (o mais antigo do Brasil,
reconhecido pelo Guiness),mal vendo o palco de quase 250 anos, logo
achamos seus acessos para recriar cenas ensaiadas durante as aulas de
teatro. Segundo Samira Bulhões “a experiência no Santa faz a gente entender que
podemos ocupar artisticamente todos os lugares.”

Quanto à autonomia, “não tem nem o que falar” (Álvaro Biazzi). Ironicamente,
tão responsáveis quanto nós por este sucesso foram as professoras. Ficamos
livres para andar pelas cidades, amparados numa relação de igualdade. Não
recebíamos ordens; fazíamos combinados. Segundo a professora Emília, “A gente já tinha essa questão da autonomia como um pilar da viagem. E a confiança foi o meio que a gente
achou pra viabilizar tudo. E tirando que, nas ladeiras de Ouro Preto, ninguém
conseguia ir muito longe…”

Ficamos livres para caminhar e montar nossos próprios roteiros no Inhotim, o maior museu à céu aberto da América Latina

As Lições

Na viagem de volta, pudemos ouvir o que tinha sido importante para
cada um. E, apesar de eventuais “Inhotim” e “Aleijadinho”, as verdadeiras
lições que levávamos para casa eram sobre autonomia, respeito, união,
compreensão e trabalho em grupo.

A vida do estudante gira em torno da escola. Amizades,
responsabilidades, formação da personalidade… Tudo acontece aqui. Mas,
voltando pra Jundiaí depois de cinco dias intensos de aprendizado, não foi
difícil realizar que a escola é um mundo, sim. Mas o mundo também é uma
escola.
Das boas.

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