Uma ponte para a literatura

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Por Mariana Mariussi

Ensinar o prazer da literatura para adolescentes é uma tarefa árdua e fascinante. Conhecer os grandes clássicos e saber relacioná-los à bagagem cultural dos alunos é um desafio que requer olhar atento e coração aberto.

É preciso enxergar que existe uma conexão clara entre a poesia do século 17 e a música sertaneja contemporânea ou que a mocinha sem graça da trilogia da moda tem tudo a ver com a donzela pálida dos poemas de Álvares de Azevedo.

Nesse processo, a parte mais importante para mim é conseguir mostrar para os alunos que a literatura não é só um importante meio de conhecimento do mundo mas principalmente que a arte feita com palavras pode ser um campo infinito de possibilidades, que por meio dela podemos ter experiências tão significativas que nos transformamos cada vez que entramos em contato com ela.

Lindo! Mas na prática não é fácil.

 

Transpor a barreira

Não é fácil convencer adolescentes hiperestimulados a investir seu tempo em um livro de 300 páginas quando existe todo dia uma nova série interessantíssima na Netflix. Não é fácil encorajá-los a vencer a barreira espinhosa da linguagem escrita, que afasta até os leitores mais destemidos.

Como surpreender e sensibilizar uma geração que tem livre acesso a um mundo de informações e entretenimento?

Aproximando e desmistificando essas obras! Quando essa distância diminui o aluno naturalmente acaba trazendo essas obras para seu cotidiano.

No 2º ano, os personagens de grandes romances do século 19 ganharam perfis nas mais diversas redes sociais para poderem contar suas histórias. A Senhora Aurélia de Camargo (José de Alencar) contou para todas as amigas do Facebook como comprar um marido. Os amigos ultrarromânticos de Uma noite da Taverna (Álvares de Azevedo) conversaram animadamente sobre suas horripilantes aventuras no Twitter. Até o Frankenstein (Mary Shelly) ganhou um Instagram para retratar sua triste história.

E assim os estudantes vão conhecendo de maneira prazerosa e apaixonada todo o encantamento que a leitura pode proporcionar. Sei que nem todos se tornarão grandes leitores, mas com certeza uma ponte para esse universo fantástico foi construída por eles, e ela é indestrutível.

Eu aqui fico aguardando esperançosa que, em alguns momentos de suas vidas, eles escolham fazer essa travessia.

 

Perfil do Facebook de Aurélia Camargo, personagem de José de Alencar, séc. 19

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One Response

  1. SIMONE TERESINHA TORQUATO PINHO
    | Responder

    Achei muito interessante a ideia de utilizar as redes sociais para promover o interesse da turma pela literatura. Parabéns

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