Uma pedagogia do trabalho: menos repetição e mais sabedoria

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Há quem avalie como “fortes” as escolas que transmitem a maior quantidade possível de conteúdo para dentro da cabeça de um estudante.

Ainda que efetivo, o processo de demonstração e explicação (via tradicional do aprendizado escolar) é limitado, porque ignora a curiosidade, a investigação e a descoberta: condutas naturais que dão sentido ao aprendizado e que permitem que evoluamos.

A Pedagogia Freinet trata de deixar este processo mais humano. Além das técnicas conhecidas de socialização e de expressão, coloca como eixo da aprendizagem o trabalho (entendido como a transformação de um problema em produto ou conhecimento).

Fizemos um breve registro do processo de construção de nossa Feira Cultural para ilustrar como uma pedagogia do trabalho pode ser mais “forte” do que se supõe. Em sete passos:

 

 

  1. Orientadores

    A cada planejamento de ano letivo (que acontece no mês de janeiro), os professores avaliam junto com alguns alunos as atividades realizadas e pensam em novas soluções para melhorar a qualidade dos estudos.

    Neste ano, foi proposto que os alunos se agrupariam dentro de suas turmas. Que cada turma escolheria um subtema para problematizar entre os grupos. E que cada professor instruiria os grupos de uma determinada turma.

  2. Delimitação do tema

    É fundamental que o trabalhador tenha identificação com o seu objeto de trabalho. No primeiro mês de aula, os estudantes propõem e votam entre si os possíveis temas para conduzir a Feira Cultural. O mais votado para ser assunto na feira de 2015 foi MÚSICA.

    Este passo também consiste em delimitar a abrangência de cada trabalho. Há grupos que se debruçaram sobre conteúdos regionais, sobre o período da ditadura e outras questões sociais, sobre quesitos técnicos da música, entre tantos.

  3. Desenvolvimento teórico

    De março a junho é o período em que os alunos praticam a ciência. Junto com seus orientadores, seguem os passos científicos de problematização do assunto, levantamento de hipóteses, metodologia de trabalho, investigação, elaboração de croqui com o projeto de uma peça e resultado dentro das normas ABNT.

  4. Banca

    Com data e hora marcada, cada grupo passa pela avaliação de uma banca composta pelo professor orientador, por um professor convidado e um estudante mais experiente de outra turma.

    Como apresentariam no dia da feira, expõem os resultados dos seus projetos e as etapas de desenvolvimento. Ao final, os colegas fazem sugestões e os professores, avaliações técnicas e construtivas.

    Os alunos de sexto ano sempre fazem uma experiência incrível e enfrentam a novidade com muita coragem.

  5. Construção do produto

    Em agosto, faltando um mês para a Feira, os pesquisadores partem para a construção das peças que levarão para exposição.

    Fundamental 1: Suas pesquisas estão associadas à prática e começam neste momento. Na turma do primeiro ano, os pais frequentam a escola e participam dos projetos.

    Fundamental 2: As aulas de Planejamento, Projetos e Pesquisas dedicam-se a instruir os alunos sobre o cálculo dos materiais, do espaço, das técnicas e prazos.

    Ensino Médio: Os alunos têm oficina e recebem a mesma orientação, exigindo desenvolvimento proporcional à sua formação.

  6. Ajustes finais

    Junto com a peça da exposição, entregam o projeto completo, com os ajustes sugeridos pela banca de examinação.

    Os pontos que obtêm de todo o processo somam-se ao total de todas as disciplinas.

    Os dias que antecedem a feira são dedicados à montagem para os visitantes (vídeo abaixo).

     

  7. Apresentação para o público.

    A Feira Cultural deste ano acontecerá no dia 26 de setembro. As novidades sobre o evento são acompanhadas aqui. E a presença de todos é bem-vinda!

    “Não é o jogo que é natural na criança, mas sim o trabalho.” Célestin Freinet

 

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