Uma escola sem coordenador

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Por Victor Augusto, coordenador do Ensino Médio

 

O coordenador é a pessoa mais substituível e desnecessária em uma escola.

Suponhamos uma escola sem coordenador, mas com alunos curiosos e ativos. Prontos para se aventurarem pelo conhecimento, explorarem suas habilidades, realizarem seus sonhos, cada qual ao seu modo, divertindo-se.

Uma escola com professores autônomos. Que produzem projetos inovadores e interessantes aos alunos. Que avaliam de forma contínua o trabalho dos estudantes e o seu próprio trabalho. Que buscam sempre o conhecimento e a reciclagem da sua atuação.

Suponhamos uma escola sem coordenador, mas com pais engajados. Prontos a complementarem a ação da escola de forma espontânea. Que contribuem com o aprendizado de seus filhos e de toda comunidade. Que participam ativamente da resolução dos problemas físicos e mesmo pedagógicos – uma vez que compreendem o projeto escolar e contribuem com o olhar familiar tão importante à educação.

Além disso, a escola sem coordenador pode ser democrática. Todos os problemas podem ser debatidos e solucionados em assembleias. Esses atores essenciais podem estabelecer diálogo aberto, tolerante e flexível.

Essa escola seria suficiente… Não imagino outra senão essa: uma escola sem coordenador.

Porém escola não é só imaginação. E sim vida real, fertilizada por sonhos.

 

O terreno da escola

Compreendemos então que nem sempre os alunos se entenderão com seus professores.

Que nem sempre os professores terão a consciência plena desse sonho.

Os pais poderão lutar por motivações pessoais ou convicções próprias, e os alunos poderão se sentir sozinhos em boa parte do percurso escolar.

A falta de tempo não é sonhada por ninguém, mas é realidade mais do que presente nas escolas que conhecemos. Isso estrangula a rotina, e encolhe os sonhos em muitas épocas do ano letivo.

As pessoas buscam ser cada vez mais organizadas. Mas é evidente como alguns professores estão atolados em seu trabalho, presos ao ensino tradicional, que insiste em sobreviver nas entrelinhas do dia a dia. Às vezes nas linhas também…

 

O que ceifa o coordenador neste terreno

O sonho existe, mas nem todos têm o mesmo sonho. A escola que imaginamos se realiza em alguns momentos, outros nem tanto.

O que há na verdade é um espírito que se mantém em meio aos conflitos e nuances da vida escolar. Mas esse espírito precisa existir de forma transversal, atingindo a todos de alguma forma. Se não o sonho não se realiza nem nas entrelinhas, quanto menos nas linhas.

Para isso precisamos de uma pessoa. Uma pessoa responsável em manter a todos sonhando e enxergando a possibilidade de um mesmo projeto de educação. Uma pessoa responsável em manter o espírito da escola vivo e fortalecido, mesmo quando o sonho parece distante.

O coordenador… Ah, o coordenador sofrerá muito. Pois todos pensarão, em muitos momentos, que ele tem respostas prontas, modelos e caminhos cercados para serem seguidos. Que ele é alguém com força sobrenatural, conhecimentos a mais e certezas absolutas.

A única certeza do coordenador é a certeza do sonho, e de buscar fazer todos sonharem, pois todos estão convencidos de que o coordenador é insubstituível e necessário.

3 Respostas

  1. Mariana Carboni Avelino
    | Responder

    Sábias palavras Victor.
    O coordenador é o cara que “dá o tom” pra escola e essa escola é tão especial por que conta com excelentes profissionais completamente abertos à experimentação, ao novo, ao incerto, ao desafiador.

  2. Eliseu Donizete Ziviani
    | Responder

    O coordenador será substituível e desnecessário, quando todos os demais que participam do grupo acreditarem que buscam uma realidade factível, não uma utopia.

    • Santa
      | Responder

      Obrigado pelo comentário, Eliseu! E obrigado por fazer parte do grupo que acredita.

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