Uma escola que inspira paixão por matemática

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Há mil maneiras de aprender coisas novas, a pura explicação com auxílio de um quadro negro e giz é uma delas. Talvez a mais sem graça.

Assim como há mil maneiras de ser avaliado, uma prova com opções verdadeiras e falsas é uma delas, talvez a mais ineficiente.

Como aprender noções de localização, leitura de mapa e medição de distâncias inacessíveis? A professora Letícia (de matemática para turmas de Ensino Médio) repassou esse desafio aos estudantes. Então eles criaram um caminho juntos.

COMEÇARAM pela lousa, com a professora demonstrando as primeiras noções.

Assim que descobriram o que podiam fazer com estes conhecimentos, saíram com um projeto: mapear o Centro de Jundiaí, com valores reais e adquiridos por conta própria.

Daí pra frente, passaram pelo planejamento das etapas, pelo desenvolvimento do projeto e pelas opções de avaliação.

 

Etapa 1: Conhecer trigonometria

Em vista do projeto (como mapear a cidade?), foram entender como os topógrafos utilizavam a trigonometria para realizar o seu trabalho: triangulação dos espaços para deduzir distâncias inacessíveis.

Então aprenderam com a professora a lei dos senos e cossenos, e aplicação de triângulos retângulos.

 

Etapa 2: Construção de teodolitos artesanais

Com os próprios materiais (transferidores escolares, canudinhos, etc) construíram seus teodolitos, a ferramenta do topógrafo. Quem ensinou isso foi o Youtube, onde há milhares de tutoriais sobre o assunto.

Fizeram dois tipos de teodolito, um para medir distâncias horizontais e outro para distâncias verticais, uma vez que a cidade de Jundiaí e cheia de barrancos.

Uma das descobertas foi que a nossa famosa ladeira, da Rua São Bento (entre a Prudente e a Marechal), por exemplo, tem 10° de inclinação (a rua mais inclinada do mundo, na Nova Zelândia, tem 19°).

 

Etapa 3: Aulas-passeio

Os topógrafos, engenheiros, arquitetos, geógrafos e cartógrafos foram para a rua.

Posicionaram-se com suas engenhocas, com trenas e com seus cadernos de anotações. Dois teodolitos horizontais marcavam a menor distância, enquanto outro ocupava o ponto mais distante, onde a vista alcançava.

Foram a campo por três vezes e deram-se por satisfeitos devido à grandeza da obra. Chegaram até a Rua Siqueira de Moraes (a cinco quarteirões da escola, mais as intersecções).

 

Etapa 4: De volta à sala de aula

Passaram para o trabalho coletivo.

Os grupos compartilharam as informações coletadas e foram riscando a lousa, dando vida ao mapa da cidade, pontuando os valores a cada esquina.

 

Etapa 5: Mapa em escala (avaliação)

Cada aluno teve o oportunidade de transformar os valores encontrados em medidas inacessíveis, por meio de fórmula matemática. E os grupos transformaram conhecimento em um produto: mapas, com escala o mais perto possível da realidade.

Encontraram tanta beleza na matemática que se propuseram a mais desafios: agora querem construir maquetes em relevo para aplicar as proporções às subidas, e aprender mais sobre curva de nível.

O mundo foi aberto para os estudantes, eles podem desenhar seus próprios caminhos.

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