Uma escola de autores – parte 2

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Nas último post apresentamos a I Semana Freinet com um texto intitulado “Uma escola de autores”.

Fizemos um pequeno “sobrevoo” sobre as produções dos estudantes até o momento: textos-livres, álbuns de conhecimento, iniciações científicas, livros da vida, entre outros.

Neste ponto do semestre em que os estudantes entregam suas últimas realizações, fomos presenteados novamente com o fôlego e a criatividade dos nossos jovens. Destacamos uma produção em especial nesta viagem.

 

O herói sem nenhum caráter

Às portas dos vestibulares, a aluna Giuliana Bertini do terceiro ano do Ensino Médio doou à nossa biblioteca seu “resumo” do livro Macunaíma, do modernista Mário de Andrade.

Era um trabalho de gramática e a professora Anali Martin sugeriu que se expressassem artisticamente, que se apropriassem da obra.

“Poderia ter feito uma apresentação de slides, mas não seria eu”, explica. A sugestão da professora foi a deixa para dar vida à sua interpretação do livro.

Giuliana conta que teve a ideia depois de assistir ao filme Macunaíma na aula de geografia.

Para ela, “o menino que nasceu no fundo do mato-virgem, preto retinto e filho do medo da noite” tinha aspecto peculiar, parecia mais com as figuras de outro filme. Buscou na animação A viagem de Chihiro, do japonês Hayao Miyazaki, a referência para sua produção.

 

 

Nova composição para o acervo da biblioteca

A autora sente pena por só ter vindo para o colégio no seu último ano de escola. Conta que nos outros lugares não tinha o mesmo espaço para a criatividade. “Você fazia os seminários e as provas e era isso”, lamenta.

Para criar seu livro a aluna escolheu especificamente o papel Kraft no tamanho A3, fez as ilustrações a mão com tinta guache, e encadernou com fitinhas de “Nosso Senhor do Bonfim”.

Com todo carinho e cuidado, após passar pela socialização com os colegas e professores, o trabalho chegou ao acervo da biblioteca para apreciação de todos.

“Não tenho medo que estraguem. Se plastificar, por exemplo, as pessoas perdem a oportunidade de sentir a textura do papel, da tinta. O trabalho é orgânico também, para ser apreciado com as mãos”, finalizou Giuliana, que conclui o colégio este ano, mas deixa sua marca.

 

Macunaíma, o herói sem caráter

Por Giuliana Bertini

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