Quem tem medo de matemática?

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Para romper com o estereótipo de malvado e provocar reações nas crianças, nosso querido professor de matemática Otávio costuma inaugurar suas aulas vestindo uma capa vermelha e dentes de vampiro.

Ele também costuma dizer que “mais assustador do que professor de matemática, somente os dentistas”.

Suas brincadeiras têm razão de existir: a rainha das ciências é a matéria que mais reprova no Brasil.

Os números são assustadores: de acordo com o relatório De Olho nas Metas 2015, apenas um percentual de 7,3% dos estudantes chega ao final do Ensino Médio tendo aprendido o mínimo desejado na disciplina.

Por que a matemática é tão difícil?

 

Desde os primórdios

Os sacerdotes egípcios elaboravam complicadas medições para controlar as enchentes do Rio Nilo.

Ao povão, porém, era velada a existência dos instrumentos e processos matemáticos. Quando recebiam informações sacerdotais acerca dos fenômenos naturais, eram como profecias ou revelações divinas.

A matemática só começou a ser contada como ciência no século VI a.C com os filósofos gregos da escola de Pitágoras. Mas também na cultura ocidental ela era dominada por uma pequena parcela privilegiada.

Platão estampou sobre as portas de sua Academia a seguinte frase com caráter excludente:

“Que nenhum homem que ignore geometria entre aqui”.

 

 

Matemática no Brasil

A ciência fui institucionalizada nas terras brasileiras quando a corte portuguesa mudou-se para cá e criou a Real Academia Militar do Rio de Janeiro.

Formava-se então uma classe intelectual, militarizada e masculina, que acreditava poder encontrar nas ciências exatas a diretriz do pensamento positivista de “ordem e progresso”.

Acerca desta “vocação masculina” da matemática que escreveu Malba Tahan em um de seus livros:

“É mais fácil uma baleia ir a Meca, em peregrinação, do que uma mulher aprender matemática”.

Vê-se que a dificuldade para aprender matemática por aqui não é apenas a combinação de conteúdos que exigem o domínio de conceitos abstratos, mas histórica e cultural.

Somado a isso, a baixa remuneração paga aos professores não atrai profissionais, que acabam optando por trabalhos bancários, por exemplo.

Caminhos para o ensino da matemática

Aos alunos que ousam se aproximar dela sem medo, acabam por descobrir sua beleza nos padrões geométricos da natureza, nas linhas arquitetônicas, nas partituras musicais, nos jogos, nas manobras de skate e em todos os lugares.

Mas a matemática da sala de aula perde esta beleza.

As estratégias pedagógicas conservadoras baseadas na repetição de exercícios e na falta de relação com a vida faz com que a disciplina se transforme em uma inconveniência e gere aversão.

Aquele professor que, com coragem e diálogo, entrar em entendimento com os alunos, será capaz de conhecer onde a disciplina restringe e onde amplia a capacidade especulativa deles. E poderá propor quantas atividades sua imaginação (e do seu grupo) permitir.


Abaixo, relembramos algumas propostas que movimentaram e atingiram a todos os estudantes (não apenas os geniosinhos da turma, os privilegiados 7,3%).

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