Onde está a educação nas escolas?

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Por Victor Augusto, professor de Geografia e Coordenador do Ensino Médio

Olhando para a Educação, tal como se encontra, percebe-se cada vez mais que os modelos de ensino em vigor na maioria das instituições vêm ruindo e demonstrando a sua inadequação às aspirações da juventude e felicidade das crianças. Talvez sejam modelos de ensino ultrapassados em relação ao desenvolvimento do conhecimento e à atual articulação de um mundo voltado ao compartilhamento de informações e à crescente criação de redes.
Alguns pensadores, como Freinet e Paulo Freire, já há algum tempo desenharam possibilidades de diálogos e interações democráticas em espaços educacionais. Criticando a ideia de ensino (passividade de um indivíduo ao receber o conhecimento de outro), entendiam que os ambientes escolares assumiam certa artificialidade, como se tudo já estivesse pronto e previamente pensado, ficando à disposição dos alunos apenas a exploração e investigação, ou a simples assimilação. O que não mudou muito, salvo raras exceções!
Acontece que sem alunos não há escola! Logo, produzir tal artificialidade implica autoritarismo, inflexibilidade e, acima de tudo, a criação de um ambiente repleto de regras, onde a vida em sua forma mais sincera não pode ser vivida, e onde há espaço apenas para o comportamento previsto pelos que pensam o modelo.
Se escola não existe sem aluno, também uma escola construída sem a participação do aluno não é escola. O modelo tradicional, que não possibilita o diálogo na construção do conhecimento, limita e impede o envolvimento do principal ator da educação, o aluno. E, se impossibilita a descoberta do mundo e da vida real, é ultrapassado já em sua origem.
Além disso, o mundo não é mais o que vemos pela TV, e sim uma infinita gama de possibilidades. Cada pessoa com um aparelho eletrônico e compreensão das ferramentas de redes pode ter acesso a conhecimentos e possibilidade de relações jamais imaginadas há algumas décadas atrás. Por outro lado, o bombardeamento de informação em muito nos atordoa, dificultando até mesmo a compreensão de tais possibilidades.
Mas o que é a escola nesse cenário?

A escola seria um ponto de encontro, um lugar de busca, com personagens diferentes, mas complementares.

O educando não está lá apenas pela obrigação de aprender (o que é inconcebível, já que aprender é um processo de dentro para fora, e não de fora para dentro), e o educador não está lá apenas pela obrigação de ensinar, pois educação não é um ensinamento. Educação é essa busca. É viver a vida, pois o que seria da vida sem o educar-se?
Na escola que estou me referindo o que temos é o encontro de dois atores em uma cena da vida, buscando saber, e conhecer mundo e a si mesmo. O que só acontecerá se ambos estiverem envolvidos em um projeto necessário: o de transformar a educação. Ou seja, a educação deve acontecer na mudança da própria educação. E esta, não somente protagonizada pelo educador (se não, não seria mudança), mas sim construída pelo amor e busca desses dois atores. Busca que é complementar, intrínseca, imanente desses atores. Assim, o educador se vai abrindo ao diálogo, e o educando se lançando ao protagonismo de seu próprio desenvolvimento, num jogo desafiador em ambas as partes, que em seu tempo confunde e troca os papéis.
Afinal, como educador, não estou em busca de meu próprio desenvolvimento nesse ponto de encontro? E nessa busca, não estarei eu junto ao educando para possibilitar esse desenvolvimento?
Agora, se não há abertura e esforço nesse caminhar, não há verdadeira escola. Talvez um prédio, cheio de gente que não se entende.
No final das contas, educação é vida construída, tal e qual a felicidade. O que não permite modelos, nem mesmo está ou estará pronta.

 

2 Responses

  1. Andrea da Silva
    | Responder

    Sou professora de História, nesse ano eu iria de mudança para Jundiai, e procurando uma escola como a que você colocou em seu texto, cheguei a essa que trabalha para meu filho,pela proposta.Como educadora sonho com algo bem melhor e diferente para nossos educandos!!!!

  2. Victor
    | Responder

    Escrevi inspirado certamente no trabalho que desenvolvo no Santa. Não há dúvida… se eu posso publicar esse texto por aqui, é porque essa busca é concreta e livre. O Colégio está de portas abertas 🙂

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