Na quarentena e na vida: educar para a autonomia

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Rafael Engelmann em casa acessando a plataforma Minha Colmeia Foto: Maira Engelmann, mãe do aluno

 

Ainda não podemos medir as consequências de uma pandemia como esta, e o que ela pode provocar no mundo, nas sociedades, na economia, e no nosso modo de viver. Somente o tempo revelará seus rastros e suas marcas.

Mas uma coisa é certa: é uma situação completamente nova para todos, e tem nos obrigado ao isolamento, a tomar medidas extremas, a reaprender formas de trabalhar, de comunicar, de consumir e de sobreviver.

Com a educação não está sendo diferente. Professores e escolas em todos os cantos têm buscado alternativas para que conhecimento chegue aos estudantes, com o auxílio da internet. E isto é maravilhoso!

Queremos compartilhar a nossa experiência, que é totalmente particular, mas que nos deixa muito felizes e orgulhosos do que temos construído, e dos resultados que temos obtido. Esperamos que seja inspirador para mais escolas e famílias.

 

 

A nossa escola deu um passo muito importante transformando a forma como os estudantes aprendem. E o coração desta transformação está na autonomia.

O que fizemos foi confiar aos estudantes o seu desenvolvimento, dando a eles opção de escolhas, chances de atuar no seu ritmo, e meios para caminharem entre os conteúdos e as ciências com as próprias pernas e cérebros.

Da mesma forma, demos aos professores novos meios de atuação. Mas, principalmente, os colocamos ao lado dos estudantes para auxiliá-los nos seus percursos. É o professor quem aponta os lugares seguros, as informações confiáveis, quem instiga a curiosidade, e quem pode fazer uma avaliação profunda sobre os processos e resultados.

Educar para a autonomia significa equilibrar as relações, e dar a todos (escola, famílias, educadores, estudantes) poderes e responsabilidades.

 

Quando foi decretada a quarentena, não corremos para gravar aulas e materiais, nem para substituir os meios. Graças a autonomia que cada parte exerce, o trabalho se manteve, apesar do isolamento. 

 

 

No lugar de notas, temos Indicadores de desenvolvimento. Os estudantes constróem sua "nota" à medida em que adquirem os conhecimentos.
No mês de março, todos os alunos deram um salto de produtividade, mesmo à distância!

O gráfico abaixo demonstra o avanço por ciclos. Todo primeiro dia do mês, fazemos um levantamento do desempenho geral e da evolução individual de cada um. Isso nos ajuda a atuar e a oferecer suporte de forma pontual.

 

Em vermelho: rendimento abaixo de 50% da totalidade. Esse número diminuiu em todos os ciclos e migrou para a média (em amarelo).

Em amarelo: rendimento entre 50 a 70% da totalidade. A esta altura do ano letivo, é um ótimo indicador e o esperado.

Em azul: rendimento acima dos 70% da totalidade. Teve um grande salto em todos os ciclos. Este é um indicador excelente!

 

 

Para o funcionamento de uma escola em que a autonomia é o centro, uma nova organização também foi necessária.

No lugar do agrupamento por séries, há momentos de agrupamento por interesse em cursos temáticos, e momentos em que a maturidade do aluno determina seu ambiente de trabalho (se necessita de mais suporte ou de mais independência e desafio).

Para uma educação tão personalizada e específica, os professores também assumem um papel primordial: serem tutores de um grupo de educandos.

Em reuniões semanais, aluno e tutor planejam a vida escolar, traçam metas, indicam os ambientes de trabalho, atuam sobre as dificuldades, e são um elo de ligação com as famílias, alinhando as expectativas.

Neste momento de quarentena, especialmente, o apoio dos tutores tem feito TODA  a diferença na vida das crianças, conferindo segurança, apoio e motivação. O resto é com os estudantes mesmo, e eles são capazes de muito. Mais do que imaginamos.

 

One Response

  1. Adriana Cruañes Mingotti
    | Responder

    Quando veio a quarentena, apesar de todo turbilhão que a envolve, único ponto que não me preocupou foi a escola dos meus filhos, já estávamos preparados, só seriam pequenos ajustes e assim está sendo.

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