Na Pedagogia Freinet, todos somos alunos

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Por Míriam Lopes Vaz

Semana passada tive mais uma experiência enriquecedora enquanto educadora, com o sétimo ano (as duas turmas).

Na quarta-feira, houve no colégio o debate com os alunos do 9º ano e do Ensino Médio sobre política. A turma do 7º A ficou chateada por ter ficado de fora dessa e logo me pediu um debate entre eles, porque eles adoram debater!

Como era uma semana para tudo dar certo, fomos à votação do tema do nosso debate regrado. Seria uma das provas da nossa gincana, que estava no Contrato de Trabalho.

As sugestões de tema foram muito diversas, e os finalistas do segundo turno foram as polarizações “machismo e feminismo” e “monstros e assombrações”. – Espera, isso mesmo?! – Sim. – E por uma diferença mínima de dois votos, o primeiro tema venceu.

Sorteamos as duas equipes, já que havia uma parte da sala com opiniões feministas e outra parte que queria boicotar a votação e voltar para o tema “monstros e assombrações”.

No dia seguinte, os alunos haviam pesquisado e o debate foi muito interessante. Não vou dizer divertido porque houve quem o seu sangue para defender um pensamento diferente do seu e até sofreu por isso.

Mas o que fica? Para os alunos, ficou que não é preciso pensar como o outro para entendê-lo; ficou também que nessa discussão de machismo e feminismo existem muitas ideias divergentes e que ainda é preciso debater muito! E que nesse debate não há um vencedor… há uma luta em curso por igualdades de oportunidades e direitos, e não privilégios. E ficou claro para os alunos o quanto esse assunto é delicado.

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Mas sabe o que ficou para a professora? A vontade de atender à reivindicação da “minoria” da sala (que não era tão menor assim!), que não participou tão ativamente quanto poderiam no debate porque não tinham afinidade com o tema. Será que está certo não contemplar quem perde no voto, porque não atinge 50% da população total, mas tranquilamente é expressiva? Isso também é política.

Não fomos ao debate, mas estamos transformando e construindo nossa cidadania a partir da sala de aula.

E o resto da gincana? Essa parte, sim, foi divertida! Só que com certeza, os alunos aprenderam mais no debate!

E o 7º B? Propus fazer a gincana com eles, e eles protestaram. Não são iguais ao A e querem construir suas próprias atividades. Pois então, mãos à obra!

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