Criança não trabalha?

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Os primeiros a deixar o refeitório são os pequenos. Frequentam o período integral e ainda precisam se preparar para o segundo tempo. Vêm acompanhados da professora-cuidadora, mas trazem, eles mesmos, seus pratos sujos de comida até o lavabo. Põem-se na ponta dos pés para alcançar a pia, pedem para que a professora pingue o detergente na esponja e, do jeito que conseguem, lavam a própria louça.
Depois deles, vêm os adolescentes, os professores, diretores, um após o outro, e limpam o que tiverem sujado. Mesmo os visitantes entram na dança da louça aqui. Então, se vier almoçar no colégio, já sabe.

post louça
Para muitos, o contato com a esponja se dá pela primeira vez aqui na escola. E, como seria de se esperar, alguns pratos precisam ser lavados novamente por outra pessoa. Mesmo assim, não abrimos mão da tentativa.
Nossa escola acredita que uma das formas para se conferir autonomia às crianças seja dividindo com elas certas tarefas.
Então perguntamos: até que ponto crianças devem participar dos trabalhos dos adultos?
No ano de 2009, o grupo Palavra Cantada lançou a música “Criança não Trabalha”. De forma muito espontânea, mas imperativa, meninos e meninas repetiam no refrão: “CRIANÇA NÃO TRABALHA, CRIANÇA DÁ TRABALHO!”. Vamos esclarecer como concordamos enormemente com o coro.
Criança realmente não trabalha: as obrigações são todas nossas, dos adultos. Além disso, quando pretendemos que elas adquiram suas responsabilidades, nos tornamos educadores e assumimos para nós todo o esforço que isto envolve. Pois, certamente, é muito mais trabalhoso ensinar uma criança a lavar seu próprio prato do que simplesmente lavá-lo. Criança dá muito trabalho.
A psicóloga e bióloga Nilza Lacerda nos ajudou a entender como esta participação é entendida por uma criança e em que medida é importante para ela envolver-se nas dinâmicas de convivência e responsabilidade.
Segundo diz, a criança gosta de ajudar e gosta de sentir-se capaz:

“Ela normalmente tem curiosidade e quer ajudar. Se você não permite, porque na verdade ela atrapalha, você a desanima”.

Para Nilza, é sim importante aproveitar o potencial e a vontade de participação infantil, mas com bom senso. Uma criança não pode passar roupa ou ajudar a fritar comida, por exemplo.
Também não se deve cobrar as atividades com rigidez, como uma carga. “A criança é um recurso natural que não está pronto, ainda vai se desenvolver”, esclareceu. O que acontece quando permitimos sua ajuda, ou quando as ensinamos, é que elas aprendem a cooperar e ganham autonomia. “Ela não é capaz de pensar nisso, mas ela é capaz de distinguir o que é bom”, concluiu.
Trazendo o assunto de volta para a escola… Na fila da louça perguntamos para a aluna Luiza Marietti, de cinco anos, se ela também ajudava na sua casa. Respondeu com orgulho: “é claro, minha mãe não pode fazer tudo sozinha!”.
E, claro, sua mãe também estava orgulhosa da sua atitude. Para Nívea Marietti, mãe de Luiza, a cooperação é edificante, “tanto pela ajuda, como pela valorização dos serviços domésticos”, aclarou.
E o restante dos alunos do colégio, o que será que eles pensam a respeito da cooperação? Fizemos esta pesquisa em uma quarta-feira, dia em que a maioria da galera almoça aqui. E…

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E você, ajuda na sua casa? Concorda com a atribuição de tarefas? Deixe o seu comentário.

 

One Response

  1. Claudio de Albuquerque
    | Responder

    Parabéns!
    Este é um dos caminhos.
    Salve!

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