Confiem nas crianças, permitam que elas se arrisquem

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Em nosso papel de educadores e orientadores pedagógicos, muitas vezes recebemos no “confessionário” da escola crianças que estão internamente bloqueadas aos desafios. Que sentem medo de levantar a mão para falar. Que preferem ficar sentadas de canto a fazer aula de educação física.

E também atendemos crianças que não têm medo de nada, que procuram (e atraem) o perigo e que precisam de limites.

A psicologia infantil nos ajuda a entender estas lacunas no desenvolvimento. Com conhecimento, podemos trabalhar para que as crianças cresçam integralmente.

Como a escola e os pais podem orientar a garotada a enfrentar os desafios com coragem e responsabilidade?

 

As crianças precisam correr certos riscos para se desenvolverem

Um importante fator de proteção para o desenvolvimento das crianças – ao lado de um ambiente familiar saudável e de afeto – é ARRISCAR-SE.

Estamos falando daquela dose saudável de perigo: de descer pelo escorregador que parece gigante pela perspectiva da criança, de subir em árvores, de levar alguns tombos e raladas, de adquirir resiliência.

São bons aqueles riscos que ajudam a criança a lidar com o incerto. Nós vivemos em um mundo incerto!

Segundo a psicóloga americana Emmy Werner, crianças que conseguem lidar de forma adequada com as adversidades possuem senso de eficácia e autocompetência. Elas

“têm percepção social, possuem habilidades de resolução de problemas, solicitam ajuda de outras pessoas quando necessário e possuem a crença de que podem influenciar positivamente o seu ambiente.”

 

Confiar na criança e no adolescente

Rapel com os alunos na parede da escola

Muitos pais, com a intenção de proteger seus filhos, acabam por privá-los de conquistas básicas. E sem entender esta necessidade, acabam protegendo-os senão da própria vida.

Assim como executar a tarefa escolar no lugar da criança não fará com que ela aprenda, privá-la de enfrentar alguns perigos por proteção não ajudará na construção da sua personalidade.

Confiança! Mesmo as menores das crianças são capazes de se defender: são seres vivos e querem lutar para continuar vivos.

Para quem se arrisca, o mundo é uma coisa a ser descoberta, não uma coisa assustadora.

 

Segurança é necessária, sim!

O melhor que se pode fazer quando uma criança está predisposta a uma travessura é acender nela a astúcia de calcular o risco da ação.

Se for uma árvore a ser escalada, pergunte a ela: “você acha que consegue subir?”, “o que aconteceria se você caísse lá de cima?”.

Aprender a calcular riscos é construir um repertório de avaliação da própria segurança.

Mas nunca pressionar uma criança a fazer algo de que ela sinta medo. Os medos se enfrentam com disposição interior e coragem. Em outra oportunidade, torne a introduzir a ideia do desafio, ofereça ajuda para conduzi-la, mostre que ela não está sozinha. É preciso perceber que algumas ações que parecem bobas para você, são relevantes para a criança.

 

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