Como gerar alunos pesquisadores, um estudo de campo

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Todos estavam muitíssimo ansiosos para a expedição. Inclusive os professores que permaneciam no colégio, ao despedirem-se desejavam toda a sorte e todo o cuidado: era a primeira experiência de campo na praia com estudantes.

Os idealizadores foram os professores de geografia e biologia, Victor e Gustavo. Este último experiente e com vivência na região, autor de pesquisas que tiveram como local a Restinga de Bertioga e Baía de Santos. Gustavo estava mais preparado que os guias locais!

A chuva anunciou a chegada à Serra do Mar e início da descida por sua encosta. Em meio à inquietação, os estudantes receberam seus roteiros de estudo e observação: uma lista com mais de treze itens, elaborada pela dupla de professores, com questionamentos que começavam ali mesmo, na descida da Serra, através das janelas embaçadas.

Quais fatores explicariam os assentamentos ao longo da descida? Que características chamam atenção ao passarem por Cubatão, cidade que já foi considerada a mais poluída do mundo? Essas foram as primeiras indagações que os exploradores tiveram que se fazer.

No Parque, uma pequena trilha lançou a turma para dentro da reserva ambiental. O céu se abriu, e o cinza da cidade deu espaço ao azul mais azul. Os estudantes tiveram um encontro, de uma só vez, com a praia, com o mar e rio formando um estuário, com manguezal e lama, com falésias, e com uma vegetação e fauna únicas e protegidas.

Foram invadidos por sensações extraordinárias, como nadar em água salgada e quente e fria e doce ao mesmo tempo…

Fora do roteiro, tivemos uma aula de como confiar nos estudantes. Que por sua vez, demonstraram respeito e encantamento improváveis para uma aula de biologia e geografia. Quem sabe se alguém não se apaixonou por ciência e pesquisa de campo?

 

O PARQUE ESTADUAL DA RESTINGA DE BERTIOGA

  • Abriga 98% dos remanescentes de Mata de Restinga da Baixada Santista;
  • Apresenta 44 espécies ameaçadas de extinção;
  • Abriga 53 espécies de bromélias – 1/3 das espécies de todo o Estado;
  • Foram registradas 117 espécies de aves sendo 37 endêmicas e nove ameaçadas de extinção;
  • A Birdlife International /SAVE Brasil considerou a região como uma “IBA” – sigla de “Important Bird Area” – que são áreas criticamente importantes para a conservação das aves e da biodiversidade a longo prazo;
  • Apresenta 93 espécies de répteis e anfíbios (com 14 espécies ameaçadas e 14 raras) – a maior diversidade de herpetofauna na Mata Atlântica do Estado;
  • Abriga 117 espécies de mamíferos, sendo 25 de médio e grande porte (como a onça-parda, veado, anta, jaguatirica, mono-carvoeiro, bugio, cateto e queixada, todos ameaçados) e 69 quirópteros (morcegos), com seis espécies ameaçadas de extinção constantes na listagem do Estado de São Paulo, uma na listagem brasileira e uma na listagem internacional;
  • Presença de sambaquis, indicando ocupação por povos pescadores-coletores-caçadores, que podem remontar a 5 mil anos.

 

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