Como a escola pode agir nos casos de furto entre os alunos

with Nenhum comentário

Não há escola que esteja imune aos casos de pequenos furtos. Eles acontecem em escolas grandes ou pequenas, públicas ou privadas, tradicionais ou modernas, e afetam o cotidiano e as relações.

Para combater este tipo de transgressão, há escolas que optam por sistemas de segurança, como câmeras, ou até mesmo por revistas nas mochilas em busca de responsabilizar culpados. Outras tratam de omitir os casos com receio de aumentar a insegurança ou de expor suas fragilidades.

Embora a prática seja recorrente, ela não pode ser negligenciada nem tratada com abuso. A escola é o lugar privilegiado para o desenvolvimento de valores e de senso de convivência, e pode tirar proveito educativo destes acontecimentos.

Como a escola pode atuar em situações como esta?

1) Entender as crianças e adolescentes

Segundo a psicóloga Andréa Frenchiani, há cinco possibilidades para justificar essa conduta:

  • Carência, para substituir algo de que sente falta pelo objeto que furta.
  • Manifestação de emoções reprimidas, quando a criança não consegue externar seus sentimentos e retira os objetos por vingança, inveja, etc.
  • Imitação, para a criança sentir-se pertencente a um grupo ou amigo.
  • Reação a sentimentos de inferioridade, quando necessita do objeto para equiparar-se aos colegas.
  • Por uma patologia. Esse caso é raríssimo na infância e está ligado a existência de doenças orgânicas nervosas, como cleptomania.

Ou seja, com raras exceções, a criança que pratica o furto no meio escolar está tentando chamar atenção para um problema afetivo, está pedindo ajuda.

 

2) Dialogar com os estudantes

Estabelecer uma conversa aberta com todos para que saibam o que acontece dentro da escola, no espaço que lhes pertence. Não se trata de transformar o caso em um tribunal (levantando ou acusando suspeitos), mas de tornar os estudantes responsáveis pelo ambiente. Mostrar que é UM DE NÓS que está tentando dizer algo.

Agindo desta maneira, a instituição demonstra que confia em cada um de seus alunos. Uma conversa deste tipo pode encorajá-los a assumirem seus erros e buscarem outros caminhos.

Pode-se aproveitar o momento para refletir sobre as dimensões culturais, institucionais e psicológicas da ação: analisar a relação entre furto e consumo na sociedade contemporânea, por exemplo.

Mas nunca demonstrar indiferença pelo fato ou encobertá-lo. Negligenciar o pequeno delito da criança é alimentar a necessidade não atendida e perder a oportunidade de educar.

 

3) Buscar apoio da família

Quando um caso for identificado pela família ou escola, é importante que a ação se dê em conjunto. 

Chamar a criança para conversar, falar sobre a perda da confiança e sobre a inadequação do ato e suas consequências. Não esconder a indignação pelo fato e fazê-la devolver o objeto, claro, de forma discreta, sem alardes.

Mas também preveni-la: numa próxima vez, a devolução poderá ser diferente. Se o objeto furtado foi na escola, a devolução poderá ser na própria sala de aula, por exemplo.

E ouvir sua opinião e desejos, explicar o que é possível ou não ser realizado. Demonstrar interesse por seus problemas e dedicar afeto.

Crianças e adolescentes necessitam de limites, amor e proteção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.