Autonomia e relacionamentos adquirem prestígio na escola

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É manhã bem cedo, Maria Flor pendura sua mochila no gancho e, em vez de se sentar em cadeiras enfileiradas em direção a uma lousa, senta-se em seu tapetinho no chão com os colegas.

Há uma roda de conversa para lembrar do dia anterior, contar novidades e planejar o dia de trabalho. Então cada criança tira do expositor o seu Plano de Trabalho e vai consultar-se com sua professora.

De acordo com o Plano de Trabalho da Maria Flor, ainda lhe faltava naquela semana explorar jogos. Por sugestão da professora Meire, Maria Flor vai para a sala de matemática, onde há outra professora especialista para conduzir e orientar seu estudo individual e personalizado.

Ao final do dia, Maria Flor e as outras crianças voltam com a professora para carimbarem as tarefas cumpridas e devolverem o Plano de Trabalho ao expositor.

 

“Padrão de qualidade de ensino”

Em qualquer esquina, as escolas têm uma organização muito parecida: no seu posto mais privilegiado estão a matemática e as linguagens. As matérias que se encarregam das humanidades e das artes ocupam posições menos distintas (ou quase sem importância). Sendo o objetivo principal das escolas o ingresso na universidade.

E em qualquer esquina, as escolas têm pessoas altamente talentosas, inteligentes e brilhantes que são desencorajadas, ou pior, acreditam que não têm talentos por não se ajustarem ao modelo.

É um padrão condicionado para um objetivo único, determinante e centrado na aquisição de conhecimentos.

 

Novos objetivos

O acesso aos títulos acadêmicos foi amplamente facilitado nos últimos anos.

Juntamente a isso, ocorreram transformações no perfil das empresas, nas organizações e na sociedade, que passaram a valorizar outros tipos de habilidades, como trabalho em grupo e cooperação, resolução de problemas, habilidades sociais e criatividade.

Na educação, esta mudança de objetivos será possível quando a escola proporcionar um ambiente de AUTONOMIA e INTER-RELACIONAMENTO. As duas coisas podem parecer contraditórias, mas são complementares.

Autonomia para que os estudantes construam saberes ligados aos seus próprios objetivos. E inter-relacionamento.

Segundo a autora Sandra Kerka (do livro Self-directed learning: myths and realities), “a autonomia na aprendizagem acentua a importância da inter-relação com os outros para que o aprendente possa assumir um maior controle na sua aprendizagem”. Isso porque o ser humano não é um ser isolado, ele é um ser de relação.

Para se renovar, a escola precisa acreditar na capacidade para inovação das crianças e jovens. E oferecer um ambiente rico para as trocas de informação e relacionamentos, com orientações claras e objetivas por parte dos educadores, como o uso efetivo de um Plano de Trabalho.

 

Construir um saber ligado aos próprios objetivos

O professor de história, Leonardo, contratou com os estudantes do ensino fundamental que cada um elaborasse sua própria avaliação: que pensasse qual seria o formato ideal para demonstrar seu desenvolvimento, e quando estaria preparado para ser avaliado.

Os alunos sugeriram que a pontuação desta atividade compusesse o campo das Habilidades e Atitudes no contrato, com privilégio sobre a aquisição de conhecimento.

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