Professor Freinet transporta alunos em viagem internacional

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Por Victor Augusto

Todo professor sabe que em sua matéria existem conteúdos, digamos assim, um pouco chatos. Em geografia, por exemplo, não é fácil fazer com que todos os alunos se interessem por formação de relevo. Saber quais processos estão envolvidos na formação de um conjunto de morros, para alguns pode não ser uma grande aventura pelo conhecimento.
Como na turma do 1º ano do Ensino Médio tínhamos decidido por abordar paisagens naturais, dentro do projeto “Geografia da Beleza”, sobrou-me a missão de propor uma abordagem no mínimo inovadora.
Com Euclides da Cunha e obras de Tarsila do Amaral e de muitos outros autores, procurei mostrar que a linguagem pode oferecer diferentes formas de obter um conhecimento habitualmente desenvolvido pela ciência. A poesia e a arte visual sempre contribuíram muito para novos olhares sobre a Geografia.
Depois dessa breve introdução, lancei a proposta aos alunos, para que fizessem o mesmo que Euclides: pesquisar as formas de relevo e reproduzir uma obra em linguagem não necessariamente científica. Assim, estabelecemos um campo aberto para a nossa prática Freinet.


Levamos três aulas para pesquisa e elaboração dos trabalhos. Todos muito interessantes e aprofundados.

O que mais chama a atenção em nossa escola nesses momentos de livre aprendizagem é como alguns alunos realmente superam as expectativas, e produzem algo que jamais seria possível em uma escola tradicional…
Cíntia, Lívia e Samira escolheram a música do Raul Seixas “Metrô Linha 743” como princípio do trabalho. Mudaram o meio de transporte e o percurso. Decidiram pela linha de ônibus “São Paulo, Brasil – Lima, Peru” para compor rimas e ritmo sobre as diversas paisagens desse percurso, tudo recheado com imagens e fotografias. O Resultado é simplesmente esse:

 

Busão linha São Paulo- Lima

Eu ia andando pela rua meio apressado
Sabia que estava atrasado
Cheguei para o atendente e disse: Ei, amigo!
Já saiu o meu busão?
Ele disse: Não, mas vá logo, que já vai partir,
Você está muito atrasado, pode ser arriscado!

Entrei e perguntei para o motorista: Onde é a segunda parada?
Ele olhou e disse com certeza: É em Cáceres!
Aquela região montanhosa com cordilheiras e escarpas, lá no Mato Grosso!
Sabia que ia demorar,
Então achei melhor me deitar.
Porque quem espera, espera melhor dormindo.

São Paulo - LimaAcordei e pela janela eu olhei,
Com planícies eu me deparei,
E para o motorista eu perguntei,
Onde o ônibus estava,
Ele disse: chegando em Pontes e Lacerda, daqui a pouco pararemos para o almoço!
Linha São Paulo – Lima

Já no terceiro dia de viagem,
Já estávamos lá no Acre,
Onde há depressão em quase todo o território.
Eu estava enjoado,
O motivo?
De balsa, o rio Madeira tínhamos atravessado.

São Paulo - Lima

Depois de horas, finalmente!
Chegamos ao Peru, mas faltava tempo, infelizmente.
Comecei a ficar com frio,
Estávamos chegando no Estado de Madre de Díos,
Lugar com planícies aluviais de 3 ou 4 níveis de terraços.
Linha São Paulo – Lima

São Paulo - Lima
Chegamos à subida da Cordilheira dos Andes,
Que possui uma vasta cadeia montanhosa.
Ah, que viagem trabalhosa!
A decida chegou,
E estávamos rumo a Cuzco,
Com bonitas planícies a oeste,
Depois, chegamos na região de Machu Picchu,
Lugar rico e belo!

Mas, senti tontura e náuseas
O que me salvou foi saber,
Que já estávamos chegando.
Era a última decida,
Pra Nazca, litoral peruano
Com planícies curiosas com cerca de 70 desenhos
De mais de 2000 anos

São Paulo - Lima

Já estávamos no quarto dia,
Eram seis horas da matina.
E de repente chegamos.
Em San Isidro,
Linha São Paulo – Lima

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