A semelhança entre a criança e a cultura indígena

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Por Paula Prete

Entre os 4 e 5 anos de idade, a criança está muito próxima da natureza e dos animais. E possui uma curiosidade inata para novos conhecimentos, e uma capacidade imaginativa ampla que lhe permite vivenciar por completo uma proposta, de forma legítima e verdadeira.
Aproveitemos dessas características naturais da infância para aprendermos com elas, que têm muito a nos ensinar sobre o respeito à natureza, sobre o cuidado com os animais, e sobre a pureza de um olhar belo para o mundo.

A cultura indígena muito se assemelha às características das crianças quanto à curiosidade mobilizada pelo laboratório completo que é a nossa natureza.
Quando encontram um bicho, seus olhos brilham, quando escutam a chuva, param imediatamente o que estão fazendo, quando ouvem o vento, seus olhos abrem e seus ouvidos “crescem”, quando ficam em contato com a água é como se fossem peixes, uma paixão inexplicável.
Eles amam a terra e se encantam com a água, e quando conseguem misturar “água e terra”, ai ai … É como se fosse mágica!
Uma mágica do espanto, do inédito, do incrível!
Eles brincam com pedras, com folhas, criam histórias com os galhos, encontram desenhos nas nuvens e criam histórias fantásticas sobre os animais que vivem no mundo.
Gostam de música, não apenas de ouvir, mas de tocar, de experimentar e de criar.
Possuem uma sensibilidade para olhar o outro, se afetam pelas tristezas e dores dos amigos, e de forma geral demonstram vontade de fazer algo bom para alguém e ajudar quem está precisando.
Gostam da ideia de pertencer a um grupo e sentem falta dos amigos quando se ausentam.
Enfim, são tantas características que se assemelham que seria um desperdício não aproveitarmos essa linda oportunidade de aflorar ainda mais esses comportamentos e bons valores, refletindo sobre os ensinamentos trazidos com a cultura indígena: cuidar e valorizar a natureza, respeitar os animais, entender a importância da terra, agradecer aos alimentos que a natureza nos traz, conhecer os artesanatos indígenas, refletir sobre a importância do coletivo, dar valor às pessoas que convivem conosco, experienciar a simplicidade a partir da partilha, da cooperação, do comunhão e principalmente da ação em construir aquilo que se precisa e dividir aquilo que se tem, com aqueles que não têm.
Esses são os principais objetivos com as atividades que estamos vivenciando com a Turma das Frutas, Turma do Carinho e Turma do Amor.
Conhecemos as pinturas indígenas, entendemos a importância de respeitar o corpo de outra pessoa e o desejo dela de ter seu rosto com arte expressa.
Confeccionamos nossa própria tinta sem precisar comprar ou pagar por ela: usamos terra para a tinta marrom, cenoura para a tinta laranja e beterraba para a tinta roxa.
E o melhor é que muito além de arte, degustamos desses vegetais tão ricos em vitaminas que nos fazem muito bem.
Partilhamos frutas em meio a um piquenique, fizemos danças circulares como agradecimento pelo alimento, brincamos de faz-de-conta com um imaginário repleto de detalhes, assistimos a vídeos e filmes, lemos histórias infantis trazidas pelo querido Daniel Munduruku, construímos ocas com palitos, cozinhamos com frutas e mel, fizemos um chá e conhecemos os remédios que alguns povos indígenas utilizam e tem muita coisa ainda para rolar.
Conhecer nossa história é uma forma de resgatar a nossa essência, de refletir sobre nossos hábitos e costumes, de reconhecer a garra de um povo bem valente, e de valorizar uma cultura de união e de sustentabilidade.

One Response

  1. Teresinha Dolores ternus
    | Responder

    Amo a cultura o divena e TD oq e simples na vida.

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